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10 de fevereiro de 2014

No Nordeste, mesmo nos dias atuais, ainda é muito natural a tradição popular passar de pai para filho. Crescer junto com uma cultura viva dentro de casa e não incorporar isso à vida e ao trabalho artístico é praticamente impossível, pois está no DNA. O poeta, violeiro, cantador, cordelista e mestre de maracatu de baque solto, Adiel Luna, herdou o gosto pela cantoria de viola do seu pai, Arnaldo Ferreira. A paixão por outros folguedos como o coco, o maracatu, o aboio, entre outros, veio da convivência com mestres que frequentavam sua casa.

Considerado um dos mais importantes artistas de sua geração que insiste em valorizar as tradições nordestinas em seu trabalho autoral, Adiel se prepara para lançar, ainda este ano, seu primeiro CD solo, com 12 faixas autorais dedicadas aos ritmos coco, maracatu de baque solto, cantoria de viola, aboio, forró e samba de matuto, além de um DVD com outros mestres coquistas do Estado. Os dois projetos foram aprovados no edital do Fundo Pernambucano de Incentivo à Cultura – Funcultura.

Segundo o artista, Baionada, título do álbum, será um disco “que passeia por contextos nordestinos com elementos singulares da nossa identidade: paisagens, religiosidade, cotidiano, histórias e sonoridades”. Com produção musical do próprio Adiel e direção de Juliano Holanda, terá algumas participações especiais já confirmadas: Arnaldo Ferreira, seu pai; Damião Calixto, do Coco Raízes de Arcoverde; Herbert Lucena, coquista de Caruaru e Bule Bule, sambador e compositor baiano.

Vários outros músicos vão participar das gravações, mas a banda base será formada por Thiago Martins (rabeca), Ju Valença e Uana Mahin (vocal), Rodrigo Félix (percussão), Eduardo Buarque (viola) e Bruno Nascimento (violão de 7 cordas). “A viola sertaneja vai conduzir as linhas melódicas das músicas em diálogo com a rabeca, ressignificando um dueto antigo da musicalidade nordestina e principalmente do Sertão. A liga harmônica fica a cargo do violão de 7 cordas. Cocos, baiões e sambas dão a base rítmica do projeto”, revela Adiel Luna.

Baionada – que significa festa, comemoração, brincadeira de improviso, onde cantadores e público se reúnem no Sertão para uma noite de baião de viola – será gravado, mixado e masterizado no Estúdio Muzak e terá show de lançamento no Teatro Luiz Mendonça, no Parque Dona Lindu, com a participação de alguns convidados e banda.

TRAJETÓRIA – Adiel Luna é um dos protagonistas do documentário Coco de Improviso e a Poesia Solta no Vento (2011), de Natália Lopes. Já participou de eventos musicais importantes em diversas partes do Brasil como o Festival Pré Amp, onde recebeu o prêmio de melhor grupo do evento, ganhando a gravação de um disco ao lado do grupo Coco Camará.

Tem passagens, como mestre de baque solto, pelos maracatus Piaba de Ouro, Leãozinho de Aliança, Estrela da Tarde e Leão do Norte. Como poeta,  participou de festivais e recitais ao lado de importantes nomes como Chico Pedrosa, Jessier Quirino e Sinésio Pereira, além de ter publicado mais de 50 títulos de cordéis.

Como coquista, especializado em coco de São João, criou o espetáculo A Matinada, onde se apresenta ao lado de Zé de Teté, Galo Preto, Bio Caboclo, Ciço Gomes e do Coco Raízes de Arcoverde, promovendo um encontro singular entre variedades do coco: trupé, embolada, coco de engenho e coco de obrigação. Também desenvolve um encontro do repente com o rap, onde versou com Clécio Rimas, DJ Big e MC Mago.

Um artista múltiplo, como bem define o maestro Benjamim Taubkin: “Adiel parece habitar duas épocas ao mesmo tempo – o passado e presente – que são constantes em sua criação. A ligação com a tradição mais profunda, mas ao mesmo tempo em diálogo constante com o mundo hoje”.

Foto: Andrea Rego Barros.