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20 de junho de 2014

Mesmo integrando um nicho do mercado musical brasileiro, a música instrumental do grupo Saracotia vem alcançando atenção e respeito da crítica especializada nacional. Isso se deve, segundo o bandolinista Rafael Marques, “a preocupação do grupo em estar sempre se movimentando, em contato com casas noturnas e produtores de shows”. Marcio Silva, o baterista, complementa: “trabalhamos muito e caminhamos nos lugares certos em termos musicais. Conseguir tocar em eventos como Instrumental SESC Brasil (SP), Duo Jazz Festival (MG) e abrir o show de Yamandú Costa, no Teatro de Santa Isabel, foram importantes para a banda”.

Desde 2007, ano de sua criação, o Saracotia busca agregar elementos do jazz e dos ritmos populares à sua música visando ampliar possibilidades artísticas. A formação acadêmica dos integrantes também ajuda na troca de ideias, criação de arranjos e composições, mas, segundo o violonista Rodrigo Samico, “a experiência acadêmica não se sobrepõe a espontaneidade do trio”.

Rafael e Samico se conheceram no Conservatório Pernambucano de Música e tocaram juntos no grupo de choro Arabiando. Samico conheceu Marcio no curso de licenciatura em Música da UFPE. “Quando vi Samico pela primeira vez com o cabelo verde, camisa de Jimmy Hendrix e calça rasgada pensei que nunca tocaria com ele”, revela Marcio. Um tempo depois, começaram a tocar jazz juntos e formaram a banda Lady Sings the Blues.

O Saracotia surgiu através de um show de bossa nova da cantora italiana Cristina Benvenutti. O trio se juntou para acompanhar a artista numa apresentação no bar Seu Cafofa. Para esquentar o público, eles prepararam um repertório de chorinhos. Pronto! Estava dado o pontapé inicial. Samico pontua: “quando a gente começou a tocar aquele chorinho jazzístico não sabíamos que era Saracotia, apenas sentimos. Um ano depois, recebi uma proposta para apresentar um show no projeto Segunda Cultural da Assembleia Legislativa de Pernambuco e pensei no show que tínhamos feito. Essa apresentação aconteceu no Teatro do Parque lotado e sacramentou a banda”.

A partir daí, fluíram as composições e arranjos para a gravação do primeiro disco que leva o nome da banda, lançado em 2011. De lá pra cá, a banda realizou uma circulação nacional e aprovou, no edital do Fundo Pernambucano de Incentivo à Cultura 2013,  a gravação do segundo disco (ainda sem nome) e a primeira turnê internacional. Sobre o incentivo para a realização das iniciativas do Saracotia, Rafael ressalta que os recursos financeiros são fundamentais mas, salienta que a articulação da banda também foi muito importante para a concretização dos projetos.

“A gente tem muitas ideias! E são essas ideias junto com muito trabalho que vem possibilitando ao Saracotia trilhar este caminho musical”, diz Marcio. Samico complementa: “Recife é uma cidade difícil para a música independente e autoral. Mas, o Saracotia vem conseguindo driblar isso também com a ajuda de parceiros, pessoas que acreditam em nossa música, como a produtora Naara Santos, o Estúdio Carranca e Rogério Samico, produtor musical do segundo disco da banda. Apesar de tudo, nós vivemos da nossa música, fazemos o que gostamos e temos uma boa relação com a cena musical local”.

O novo disco é resultado do amadurecimento da banda. A particularidade dessa nova produção é a sonoridade carregada de ambiências que se conectam com os arranjos criados para cada instrumento, fazendo com que as 10 faixas que integram o álbum se interliguem como se contassem uma história. Destaque para Dia de Sorte, música dançante que trás um Saracotia mais pop e Pra Você, música serena, que reproduz a sensação de estar no mar através de uma levada de caixa tocada com baquetas vassoura, numa execução irretocável de Marcio.

A performance dos instrumentistas é bem fluída. Eles se complementam numa sintonia incrível, onde um toca pro outro mantendo um diálogo claro e criativo, revezando-se em solos exímios. Rafael coloca: “temos a tranquilidade de produzir de acordo com nossos conceitos. Sem pressão ou modismos”. E Marcio continua: “algo que acho bem decisivo em nossa música é que somos muito concisos. Nós compomos e tocamos pensando em nossa performance juntos”. Eles gravaram todo o segundo disco em 3 dias, utilizando 32 horas de estúdio. Essa dinâmica e fluidez se deve a uma enorme cumplicidade do trio.

Além da gravação do segundo álbum, o Saracotia se prepara para uma circulação internacional. Nesta primeira etapa, a banda faz 5 shows na França e 2 em Portugal. Ficam um tempo extra por lá e retornam ao Brasil para realizar outra etapa da turnê, desta vez pela América do Sul, e finalizar o disco com lançamento previsto para 2015. Mas, a banda planeja uma volta ao continente europeu para uma residência de 2 anos. O trio pretende cursar mestrado em Portugal e se consolidar no circuito de musica instrumental internacional que abrange festivais e mostras a partir do Brasil, passando pela Europa, Estados Unidos e findando no Japão.

Serviço
Primeira etapa da turnê internacional
26/06 – Festival La Sardine – Orléans (França)
28/06 – La Cave de Laleu – La Rochelle (França)
29/06 – Le Central do Brasil – Bordeaux (França)
03 e 05/07 – shows em Lisboa (Portugal)
10/07 – Le Petit Bain – Festival Brésil Flottant- Paris (França)
11/07 – L’Escargot – Orléans (França)

Foto: Beto Figueiroa.

24 de maio de 2014

Depois da Virada Cultural que aconteceu na capital de São Paulo, é a vez de 28 cidades do interior do Estado receber, durante dois finais de semana, a programação da Virada Cultural Paulista, realizada pelo Governo do Estado. A Bande Dessinée é um dos poucos grupos de Pernambuco que foram selecionados para participar do evento. O grupo toca dia 01 de junho, em São Carlos, no mesmo palco que os Titãs.

Aproveitando a ida para o Sudeste, a Bande Dessinée faz show, no dia anterior, no Espaço Cultural Puxadinho da Praça, na cidade de São Paulo. Os dois shows são resultado de uma parceria entre o grupo com a produtora Sambada Comunicação e Cultura que vem investindo na música independente local há 10 anos.

Criada em 2007, a Bande Dessinée – que significa história em quadrinhos em francês – é um dos grupos mais atuantes da música independente de Pernambuco. Em 2011, lançou Sinée Qua Non, seu primeiro álbum e, atualmente está na fase de pré-produção do segundo disco, Chanteclair, produzido por Leo D. (tecladista da Mundo Livre S/A) com direção artística do DJ Patrick Tor4.

Segundo Filipe Barros, guitarrista, vocalista e principal compositor da banda, Chanteclair será um disco pop e terá mais faixas cantadas em português que o primeiro álbum que apresentava músicas em francês e italiano. Outra novidade será a estreia em disco de Clarice Mendes, a voz feminina da banda. O repertório dos dois shows terá músicas do primeiro álbum, além de novas composições que estarão em Chanteclair como Perdizes, Estelita, Isabelle, Destemida e Satisfaz.

SERVIÇO
Dia 31/05 – 20h
Espaço Cultural Puxadinho da Praça
Rua Belmiro Braga, 216 – Vila Madalena – São Paulo/SP
Evento: https://www.facebook.com/events/533282160115486/?ref=ts&fref=ts

Dia 01/06 – 15h30
Virada Cultural Paulista 2014
Praça do Mercado – Centro – São Carlos/SP
Evento: https://www.facebook.com/events/309601325858750/?source=1

17 de maio de 2014

Filha de artistas, a cantora Isadora Melo, desde pequena, convive entre palcos e ensaios. Há alguns anos, participa de projetos artísticos no Recife como o espetáculo cênico O Baile do Menino Deus, além de gravações e shows ao lado de nomes da música pernambucana como Antônio Madureira, Juliano Holanda, Zé Manoel, Orquestra Contemporânea de Olinda, Arabiando, Pouca Chinfra, entre outros.

No próximo dia 28, realiza mais um show de sua carreira solo, no Casbah, em Olinda, para lançar seu primeiro EP com 3 faixas: A Joia (Areia e Juliano Holanda), Partilha (Juliano Holanda) e Cinema Nacional (Zé Manoel e Juliano Holanda). Segundo Isadora, “as músicas foram gravadas por André Oliveira e Areia no Estúdio Muzak, ao vivo, com todo mundo tocando junto numa mesma sala, o que fez tudo ficar mais orgânico e livre, sem clique, sem sofrer muitas interferências e correções após a gravação”.

A artista pretende levar esta ideia para a gravação de seu primeiro CD homônimo, que está em fase de pré-produção, com previsão de lançamento para o final deste ano ou início de 2015. O álbum, com 10 faixas, terá direção musical do violonista e guitarrista Juliano Holanda que também integra a banda da cantora ao lado de Areia (baixo), Rafael Marques (bandolim) e Julio Cesar (acordeom). “Uma formação bem acústica”, define Isadora.

Além das músicas do EP, o primeiro disco terá composições de outros artistas como Hugo Linns, PAES e Clara Simas. “Ando conversando com Caio Lima, Tiné e Mavi Pugliesi, 3 compositores que eu queria muito que estivessem no disco”, planeja Isadora, uma das apostas da nova cena de cantoras pernambucanas.

SERVIÇO
Show de lançamento do EP de Isadora Melo
Data: 28/05/2014 – 21 horas
Local: Casbah – Rua 27 de Janeiro, 07 – Carmo – Olinda
Preço: R$ 20,00 (ingresso + EP)

Foto: Flora Pimentel.

8 de maio de 2014

De uns anos pra cá, muitos artistas e profissionais de Pernambuco começaram a se juntar para trabalhar ou criar coletivamente. Será que os pernambucanos começaram a entender que juntos são mais fortes? Tomara! Um dos coletivos atuantes da área musical é a Cena Beto, um núcleo de produção formado por artistas solos e bandas  – criado no bairro de Areias, zona sudoeste do Recife – que vem chamando a atenção do público, da mídia especializada e dos curadores de festivais locais.

Um dos idealizadores da Cena Beto é o músico, cantor e compositor JuveNil Silva. Segundo ele, “Beto era um senhor que passava pela praça do Sena, toda sexta-feira, voltando da Ceasa. Ele via o pessoal no banco da praça com uma viola e uns vinhos horripilantes e chegava junto para beber e tocar com a gente. Cantava músicas que ele inventava na hora, recitava poemas hereges sinistros, urrava algo e depois se mandava. Depois de um tempo ele sumiu. Dizem que foi pro Amazonas, outros falam que ele morreu engolido por um bagre buchudo. Eu gostaria muito de reencontrá-lo um dia…”

JuveNil começou a se interessar por música em 1999, através do violão e da sua coleção de discos de vinil. Se considera autodidata. Atualmente, além de tocar baixo na banda Dunas do Barato, desenvolve um trabalho solo e colabora com os companheiros da Cena Beto. Em 2013, lançou, virtualmente e em formato CDR, seu primeiro disco, Desapego, que foi bem recebido por crítica e público. O álbum é uma mistura das diversas influências do artista: folk rock, psicodelia, Sérgio Sampaio, The Who, Raul Seixas, Mutantes, etc.

Já apresentou o repertório de Desapego em eventos importantes de Pernambuco como os festivais Abril Pro Rock Club, No Ar Coquetel Molotov, Festival de Inverno de Garanhuns e Rec-Beat, além do projeto Levada Oi Futuro, no Rio de Janeiro. Atualmente, JuveNil está preparando Super Qualquer no Meio de Lugar Nenhum, seu segundo disco solo com produção dele em parceria com Arthur Dossa, do Estúdio Base, onde está sendo gravado.

“Cada uma das 12 faixas autorais resume um momento de um dia de folga de nosso personagem: um anti-herói da classe operária que vai resolver algumas pendências burocráticas e sentimentais em busca de salvar seu próprio umbigo a qualquer custo (bem barato, na verdade). Um dia cheio, porém bem normal, corriqueiro como qualquer dia na vida de cada um. Uma espécie de Ulysses (de James Joyce) das quebradas atuais. Um matuto radicado na maior cidade pequena do universo”, entrega o artista.

O lançamento de Super Qualquer no Meio de Lugar Nenhum está previsto para acontecer até o final do ano. O formato ainda não está definido, mas o músico revela que gostaria muito de fazer tiragens em CD e LP. Além dos músicos que tocam em sua banda, o disco terá participações de diversos parceiros como Wander Wildner, Rafael Castro, Claudio N, Juliano Holanda, Dmingus, Matheus Mota, Aninha Martins e, segundo o artista, “algumas surpresas inusitadas”.

Sobre o futuro, JuveNil Silva diz que pretende “seguir tocando no máximo de lugares possíveis para o máximo de pessoas que ainda não me viram tocar, espalhar meus sons, minhas loucuras. Achar os ouvidos que querem minha boca”. Filosofia pura!

Para ouvir: https://soundcloud.com/juvenilsilva

Foto: Pedro Liberal.

24 de abril de 2014

A união entre heavy metal e sonoridades afrodescendentes já foi experimentada no universo do rock em diversos momentos. Um bom exemplo foi a gravação de Ratamahatta para o álbum Roots (1996), da banda Sepultura, que contou com a participação do cantor e percussionista baiano Carlinhos Brown. Esta parceria transformou a música na faixa mais pop e dançante do disco e trouxe um novo público para a banda mineira.

Quem comparecer à segunda noite do festival Abril Pro Rock terá a oportunidade de assistir uma experiência sonora semelhante. A banda de rock pesado Desalma fará um show com a participação do grupo percussivo Bongar. “A ideia de juntar as duas bandas foi de Isadora Cysneiros e Fabio Souza que, em 2012, eram alunos do curso de produção fonográfica da AESO Barros Melo. A primeira gravação fez parte do projeto de conclusão do curso de ambos”, afirma Mathias Severien, guitarrista da Desalma.

O interessante desta união é que, mesmo as duas bandas apresentando uma proposta diferente, ambas são influenciadas pela música de origem africana.  A Desalma faz um som tipicamente urbano com raízes na música negra norte-americana e o Bongar – grupo oriundo do Terreiro Xambá, localizado no bairro de São Benedito, em Olinda – carrega em sua música elementos da cultura negra trazida ao Brasil, durante o período colonial, pelos escravos que vinham do continente africano.

Segundo Mathias, a apresentação no Abril Pro Rock “será um show especial por diversos motivos: será a segunda vez que a Desalma toca no festival, vamos lançar o novo disco no Recife, teremos a participação de André Sette, da Anjo Gabriel, tocando teremim, e encerraremos o show, em grande estilo, ao lado do Bongar.” Todas as músicas que a banda apresentará são do primeiro álbum, Foda-se, lançado no ano passado e produzido por Mathias Severien e Renato Corrêa.

Na estrada desde 2007, a Desalma já passou por importantes festivais nacionais como Rock Cordel (PB), Maionese (AL), Mundo (PB), DoSol (RN), Quebramar (AP), entre outros. Lançou dois EPs e participou de coletâneas como Terra Batida (2009) e Ratamahatta – Um Tributo Pernambucano ao Sepultura (2011).

“O som da banda é um mix das várias influencias trazidas pelos integrantes, mas podemos resumir a nossa música como pesada, rápida, agressiva, dissonante e desconfortável”, conceitua o guitarrista. A Desalma é formada por Erick Dartelly (voz), Mathias Severien (guitarra), Pedro Diniz (baixo) e Renato Corrêa (bateria e voz).

Para ouvir: soundcloud.com/desalma

Foto: Renato Carvalho.

19 de abril de 2014

Na semana passada, foram criadas as últimas 6 páginas que faltavam para completar os 100 artistas/grupos catalogados nesta primeira etapa do site Sons de Pernambuco. A pesquisa começou em janeiro de 2013 mas, o site só foi inaugurado em novembro com a catalogação bio-músico-fonográfica de 79 nomes importantes da música contemporânea. Não foi fácil criar este catálogo virtual com as informações que estão disponibilizadas.

Discos fora de catálogo que, em alguns casos, nem o próprio artista possuía; material enviado incompleto e falta de interesse por parte de alguns dos catalogados foram espinhos que os curadores/pesquisadores encontraram pelo caminho. Porém, o empenho e a vontade de criar o maior panorama virtual da música independente de Pernambuco foram mais fortes e conseguiram se sobrepor aos acúleos da caminhada.

Entre estes 6 últimos nomes, estão duas importantes orquestras de frevo do Estado: SpokFrevo Orquestra e Orquestra Popular da Bomba do Hemetério. Ambas foram criadas por dois jovens maestros que contradizem a teoria, que de vez em quando ressuscita: “o frevo morreu” ou “o frevo precisa de renovação”. As duas orquestras executam frevos clássicos e novas composições em seus shows sem perder o vínculo com a contemporaneidade.

Outros 2 nomes que passaram a integrar o catálogo são oriundos do interior de Pernambuco: Samba de Véio da Ilha do Massangano, de Petrolina e Ticuqueiros, de Nazaré da Mata. Este último, coincidentemente na mesma semana que entrou para a catalogação também foi indicado para o 25º Prêmio da Música Brasileira, na categoria Melhor Grupo Regional. O Samba de Véio dispensa apresentações! É um dos grupos da tradição oral mais importantes da cultura sertaneja. Lançou dois álbuns e realiza apresentações dentro e fora do Estado com frequência.

Fechando a lista, mas não menos importante, Zeh Rocha. Cantor, músico e um dos autores mais significativos de sua geração, possui músicas gravadas por Lenine, Elba Ramalho, Boca Livre, Geraldo Maia, Maciel Melo, entre diversos outros nomes da música brasileira. O GUIA também recebeu algumas atualizações e a GALERIA chegou a 150 reproduções de peças gráficas sobre a música pernambucana. Ponto para Pernambuco!

Foto: Ticuqueiros – José de Holanda.

15 de abril de 2014

Incluir shows inéditos em Pernambuco na programação do Abril Pro Rock é um dos objetivos dos organizadores do festival. Na edição deste ano, uma das apresentações que ainda não foi vista no Estado é a da Orquestra Betodélica, projeto musical capitaneado por Graxa, JuveNil Silva e Aninha Martins. Os 3 realizaram shows solos recentemente, no festival Rec-Beat, mas o que será apresentado no dia 25 deste mês não tem nada a ver com as performances individuais do Carnaval.

“A Orquestra Betodélica começou no final do ano passado com uma ideia de fazer um show na praça que fica em frente ao Teatro de Santa Isabel. A gente se juntou, montou um repertório, mas nem rolou a apresentação… O projeto ficou no ar, chegou aos ouvidos de Paulo André e ele resolveu colocar na programação do Abril Pro Rock. Vai ser o primeiro show dessa trupe esperta”, entrega JuveNil Silva.

A Cena Beto – nome dado para um coletivo de artistas solos e bandas que atuam em Pernambuco –  é uma das movimentações musicais mais significativas dos anos 2000. Vêm chamando a atenção para a produção musical do Estado, como há tempos não acontecia. Veículos de comunicação locais, mídias alternativas e até a imprensa do Sudeste, como o jornal O Globo, também tem dado destaque para a pluralidade estética da Cena.

Segundo o cantor e baixista Angelo Souza, conhecido como Graxa, “a Cena Beto é um coletivo individualista no sentido de expressões e criações. Cada um tem sua característica e seu estilo, mas sempre procuramos dar uma força uns aos outros através de uma infinidade de coisas que acontecem e que estão implícitas além do que se entende por música”.

A “superbanda”, além dos 3 nomes citados, terá em sua formação músicos de outros grupos que integram a Cena Beto como Jean Nicholas e a Bueiragem, Ex-exus, Dunas do Barato, D Mingus, entre outros. O show vai contemplar um repertório multifacetado dos discos lançados por estes grupos, apresentando um panorama musical híbrido dos “betos”. Tanto Graxa quanto JuveNil Silva, que conversaram com o Sons de Pernambuco, acreditam que a Orquestra Betodélica tem tudo para continuar após o show no APR.

A Cena Beto pode até ser uma novidade, mas diversos músicos que integram o coletivo já possuem trajetória musical. JuveNil e Graxa, por exemplo, tocaram juntos na extinta Canivetes há quase 10 anos. Aninha Martins integrou a banda experimental Sabiá Sensível entre 2007 e 2011, junto com Matheus Mota, ou seja, ninguém surgiu de uma hora pra outra. São artistas que estão na estrada há anos.

JuveNil Silva tocou no APR Club no ano passado, mas a maioria dos músicos da Orquestra Betodélica vai pisar no palco do Abril Pro Rock pela primeira vez. “Tocar no Abril é muito legal. Sempre tive vontade e agora vou conseguir. Então, é um sonho que eu vou realizar e que vai me ajudar muito no meu trabalho musical”, afirma Graxa.

A Orquestra Betodélica é JuveNil Silva (voz e guitarra), Graxa (voz e baixo), Aninha Martins (voz), Ricardo Maia (guitarra), Hugo Coutinho (teclado), Gilvandro Barros (bateria), Leo Vila Nova (percussão), Aline Borba (flauta e voz), D Mingus (guitarra e voz), Natália Meira (voz), Rodrigo Padrão (guitarra) e Jean Nicholas (voz e guitarra). Com toda certeza, será um dos bons momentos do Abril Pro Rock 2014.

JUVENIL SILVA

GRAXA

ANINHA MARTINS

Foto: Gabriel Pessoa.

1 de abril de 2014

Uma das atrações locais escaladas para o Festival Abril Pro Rock 2014 é o cantor, guitarrista e compositor Joanatan Richard, de Caruaru, cidade do Agreste pernambucano localizada à 135 km do Recife. Apesar de pouco conhecido em seu estado, Joanatan é um veterano na música com mais de 20 anos de estrada. Começou tocando baixo na banda Patota e, anos depois, ingressou como guitarrista na The Bluz, grupo especializado em blues que durou 15 anos. Com o final da banda em 2012, o guitarrista resolveu seguir carreira solo colocando em prática um antigo sonho: tocar e cantar rock’n’roll dos anos 1950.

“Eu sempre soube que tinha dom e vocação para a música pois, desde criancinha já brincava de tocar meus instrumentos de brinquedo. Na adolescência, comprei meu primeiro violão, um Tonante Ao Rei dos Violões, na extinta Patricinha Discos de Caruaru. Eu não resolvi ser músico, a música me pegou e o estopim de tudo foi a aquisição de duas revistinhas de cifras só com músicas de Elvis Presley… Aí, não parei mais!”, recorda o amante do rock.

A carreira solo teve início com a gravação do primeiro CD, Rockin’ This Crazy World, lançado em 2013 com 11 faixas autorais. As gravações foram realizadas no Papagaio Records Studio, de São Carlos/SP e no HF Studio, de Caruaru/PE, onde também foi feita a mixagem.  A masterização, feita com equipamentos analógicos dos anos 1950, ficou a cargo do Lightning Recorders, em Berlim, na Alemanha. A direção e produção musical é assinada pelo próprio músico que contou com o apoio de Netto Rockfeller durante as gravações em São Paulo.

A lista de participações especiais em Rockin’ This Crazy World é extensa: Atiba Taylor (USA), Daniel Daniboy (Uptown Blues Band), Johnny Crash (The Dead Rocks), Bruno Felipe, Moises Lira, Junior “Vaneirão”, Netto Rockfeller, só para citar alguns. O show de lançamento foi apresentado no Festival Pernambuco Nação Cultural e no São João de Caruaru. No segundo semestre de 2013, Joanatan realizou uma turnê por cidades de São Paulo, Piauí e Rio Grande do Norte, ao lado de Rudy “Tutti” Grayzell, lendário rocker que foi amigo e parceiro de Elvis Presley.

Joanatan também gravou duas faixas para Spiritual Cramp!, tributo mexicano à banda norte-americana The Cramps, com previsão de lançamento no primeiro semestre deste ano. “Em breve, se Deus quiser, vou lançar mais 2 discos: um com canções e outro instrumental. O de canções está bem adiantado e terá uma versão split album junto com a Nicotyna, banda neo rockabilly da Cidade do México. Também pretendo lançar algo em vinil, que é um sonho antigo”, revela o artista que emplacou a faixa  My Baby, Baby, em rádios da Espanha, México, Japão e Brasil.

Para ouvir: soundcloud.com/joanatan-richard

Foto: Bento Gomes.

29 de março de 2014

Além de shows e oficinas, o festival Abril Pro Rock realiza no período de 2 de abril a 10 de maio, no Centro Cultural dos Correios, a exposição Pôster Arte Design que reúne cerca de 100 obras entre quadros, cartazes, pôsteres e gravuras que contam um pouco da história da música nacional e internacional.

“Faz parte da história do Abril Pro Rock não se limitar à produção de shows simplesmente mas atuar como um agente, fazer parte da história da música, e se mesclar à atmosfera artística que a envolve, seja no design, na pintura, na gravura. Cada peça gráfica conta um capítulo por onde caminha a música e o Festival se orgulha de poder levar ao público alguns desses registros”, comenta Paulo André Pires, curador da exposição e idealizador do festival.

A Pôster Arte Design III ocupa duas salas do Centro Cultural dos Correios e tem entrada franca. Como novidade em relação às edições anteriores, traz um ambiente completamente dedicado à memória da música dos anos 1980 e 1990 com pôsteres antigos e cartazes raros. Em outra sala, seguem experimentos visuais autorais como quadros referenciais aos Beatles, assinados por Carla Barth (RS), Erisson (PE) e Paulo do Amparo (PE); gravuras do artista Revolback, vocalista da banda paulista de hardcore Questions; e trabalhos dos ilustradores Shiko (PB) e Simone Mendes (PE). Há ainda materiais dos coletivos SHN (SP) e 45 Jujubas (MG).

A parte internacional da exposição abriga pôsteres de países como Eslovênia, Macedônia, Turquia, Colômbia, EUA e Alemanha. Entre os artistas citados nas obras estão, além dos Beatles, Reginaldo Rossi, Television, Michael Jackson, The Independents, Mundo Livre S/A, Autoramas, Nina Becker, Atari Teenage Riot, Naná Vasconcelos, Rancid, Questions, Ozzy Osbourne, King Diamond, Metallica, DJ Dolores, etc. Sem esquecer de cartazes e pôsteres de eventos locais.

SERVIÇO
Exposição Pôster Arte Design III
De 2 de abril a 10 de maio
Centro Cultural dos Correios
Av. Marquês de Olinda, 262 – Bairro do Recife, Recife – PE
Fone:(81) 3224-5739
Entrada Gratuita

Cartaz criado para show da Mundo Livre S/A, por 45 Jujubas.

28 de março de 2014

Mais um lote com 5 nomes acaba de ser postado na catalogação de artistas/grupos da música contemporânea pernambucana. Entre eles, uma das principais bandas do Movimento Mangue, a Mundo Livre S/A que, ao lado de Chico Science e Nação Zumbi, revolucionou o mercado da música local, nos anos 1990. Toda a discografia da banda está listada em sua página.

Outros dois nomes importantes deste lote são o Maracatu Nação Pernambuco e Maciel Salú. O primeiro, tem um papel fundamental na valorização das tradições populares do Estado, movimento iniciado também nos anos 1990. Inclusive, era um dos grupos admirados por Chico Science na época que o malungo criou a Nação Zumbi.

O segundo, o rabequeiro, compositor, cantor e mestre de maracatu, Maciel Salú, pertence a uma das famílias mais importantes quando o assunto é tradição e cultura popular pernambucanas: os Salustianos. Liderada por muitos anos pelo saudoso Mestre Salustiano, é uma família de artistas e brincantes que até os dias atuais continua lançando talentos ligados à música e à dança populares no mercado local.

Fechando este lote de nomes expressivos ligados ao universo da música independente, o violinista Sérgio Ferraz e a banda Volver. Somando 94 nomes até o momento, o site Sons de Pernambuco está se aproximando do final da primeira etapa que prevê 100 nomes catalogados. A próxima postagem trará os 6 últimos artistas/grupos.

Foto: Mundo Livre S/A – Duda Lopes.