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30 de janeiro de 2014

Um baile caliente! É assim que o DJ Incidental – nome artístico do músico, compositor e produtor Eudes Ciriano – define sua mais nova criação: o Superlage. Idealizado em 2013, junto com o cantor e baixista Raimundo Alfaia (ex-Querosene Jacaré e Monjolo), o duo surgiu para não deixar ninguém parado em seus shows através de uma mistura de ritmos dançantes.

As influências musicais, segundo a dupla, são os sons dos subúrbios do mundo tendo como base a cumbia, ritmo colombiano que se popularizou por toda a América Latina.  Mas, outras sonoridades como o carimbó, o tecnobrega e a música eletrônica, entre outros “sons tropicais” também podem ser percebidos na música do Superlage. As letras, todas autorais, são inspiradas na literatura de cordel e no cotidiano urbano das grandes cidades.

Superlage, o primeiro álbum, tem incentivo do Fundo Pernambucano de Incentivo à Cultura – Funcultura e produção, direção, gravação e mixagem assinadas, em sua maioria, por Incidental e Alfaia. As 12 faixas serão masterizadas por Buguinha Dub, no Estúdio Mundo Novo e o lançamento está previsto para o primeiro semestre de 2014.

Além dos dois músicos/produtores, o álbum conta com a participação das cantoras Jana Figarella e Alessandra Leão; dos instrumentistas Tom Rocha (percussão), Pierre Leite (teclados), Maurício Candussi (acordeom), Juliano Holanda (guitarra), Vitor Magall (guitarra) e do DJ Lucio K. Para o show de lançamento, ainda sem data e local definidos, o Superlage planeja convidar a maioria dos envolvidos na gravação do CD.

Para ouvir: https://soundcloud.com/superlage

Foto: Costa Neto.

25 de janeiro de 2014

Nos anos 1990, durante o Movimento Manguebeat, surgiram diversos grupos que tinham como referência principal a cultura popular, como Maracatu Nação Pernambuco, Mestre Ambrósio, Chão e Chinelo, Cumadre Fulozinha, entre outros menos conhecidos. Quase sempre, uma década nega a anterior e, nos anos 2000, grupos com esta característica praticamente desapareceram. Dos quatro citados, só o Nação Pernambuco continua em atividade.

Contrariando a tendência do chamado Pós-Manguebeat, a banda Sagaranna, formada em 2011, tem como principal referência estética e musical o universo da cultura popular e dos folguedos.  A ideia de criar o grupo foi do músico e poeta Thiago Martins, que queria formar uma banda que integrasse diferentes linguagens, como a música e a poesia. Com a chegada dos demais integrantes, a dança também passou a fazer parte da criação artística do Sagaranna.

Além de Thiago Martins, que canta e toca rabeca, o sexteto é formado pelo violonista Rodrigo Samico, pela cantora Uana Mahin e pelos percussionistas Frank Sósthenes, Ju Valença e Rodrigo Félix. Atualmente, o Sagaranna – nome de um livro de contos de Guimarães Rosa – está gravando o CD Véu do Dia, no Fábrica Estúdios, com previsão de lançamento em março de 2014.

A direção musical do disco é assinada por Nilton Jr. (Coco de Toré Pandeiro do Mestre), que também participa cantando e tocando. Os arranjos de cordas foram feitos pela banda com a contribuição do violeiro Caçapa. O álbum, que terá 13 faixas autorais, sendo a maior parte composta por Thiago Martins, também conta com as participações especiais de Deco Trombone e Publius.

Com forte apelo cênico, os shows do Sagaranna já foram apresentados em diversas cidades de Pernambuco, como Recife, Olinda, Belo Jardim, Camaragibe, Tracunhaém e Caruaru. Um espetáculo que une poesia, dança e música fortemente influenciada por ritmos da Zona da Mata Norte do Estado como o cavalo-marinho e o forró de rabeca, além de referências africanas e elementos do tropicalimo (movimento musical criado na Bahia nos anos 1960).

Foto: Dani Neves.

20 de janeiro de 2014

Por Camila Souza/Diário de Pernambuco

De chapéu de sol aberto, Capiba abraçou o frevo-canção em mais de 90 composições ao longo da vida. Mas provou quão plural era ao compor de baião a maracatus. O autor de clássicos como Maria Bethania e Serenata suburbana teve a obra gravado por Nelson Gonçalves, Claudionor Germano, Chico Buarque, Gal Costa e muitos outros. “Ele talvez tenha sido o compositor pernambucano mais eclético”, pontua Renato Phaelante, pesquisador de música popular brasileira e autor do livro Capiba é frevo, meu bem (1986).

O lado B do filho ilustre da cidade de Surubim, abafado por sucessos como Madeira que cupim não rói e Oh, bela, virou disco nas mãos dos produtores Pedro Rampazzo e Paloma Granjeiro, do selo Sambada Comunicação e Cultura. Com lançamento previsto para o fim do semestre, Capiba, elas e outras canções, com produção musical de Missionário José e direção de Marco Cesar,  mostra um autor pouco conhecido do público.

Abre as cortinas para um compositor respeitado pelos caciques da bossa nova, sambista e sensível à cultura africana e à classificada como erudita. Dez cantoras, entre elas Karynna Spinelli e Ylana Queiroga, interpretam faixas out do instrumentista – em contraposição a gravações anteriores feitas, na maioria das vezes, por homens. “Escolhemos canções importantes na trajetória dele. Todas rearranjadas em busca de contemporaneidade”, conta Paloma.

A viúva do pernambucano, dona Zezita, de 82 anos, participou da pré-produção. “Ele fazia músicas para o Carnaval por deleite. Mas há canções lindas em outros gêneros. Uma delas é Cais do porto. Se eu fosse cantora, seria a primeira que eu gravaria”, revela. Nascido no seio de uma família de artistas, desde menino, Capiba lidou com música. Primeiro, tocando trompa na banda da qual o pai era regente. Depois, aprendendo piano, a contragosto, para ajudar nas despesas de casa. Já no Recife, na década de 30, fundou a Jazz-Band Acadêmica.

Compôs gêneros norte-americanos e enveredou por outros caminhos de ritmos brasileiros, como a toada, o choro e o batuque. Escapou com um tango, Flor das ingratas, com o qual venceu o prêmio da Revista Doméstica (1929). “Escolhi a canção que, para mim, preenchia todos os requisitos, remeti à revista e fiquei aguaradando o resultado daquela minha afoiteza. Depois fiquei nervoso. Não tratei do assunto com ninguém. Se eu nao fosse classificado, ninguém iria saber do meu fracasso”, revelou no Livro das ocorrências (1985, Coleção Pernambucana).

Capiba era perfeccionista. E vaidoso. Em 1966, ao participar da primeiro Festival Internacional da Canção Popular, teve três canções, das cinco que enviou, classificadas entre as 36. Os quase 10% de aprovação renderam muita autopromoção nas rodas de amigos. Umas das faixas escolhidas foi Canção do negro amor, letrada por Ariano Suassuna, seu compadre. Mas o compositor sabia das limitações. Certa vez, a convite de Ary Barroso, nos idos de 1962, admitiu que não sabia cantar.

Foi em uma participação no programa veiculado na TV Tupi, no Rio de Janeiro. Por essa época, o samba A mesma rosa amarela, versado por Carlos Pena Filho, ecoava nos quatro cantos do país. E embora muito ouvisse, o apresentador não sabia a paternidade da canção. “Os locutores das rádios não dizem os autores”, esbravejou. Lisonjeado, o autor da música começou a executá-la ao piano. Ary interrompeu-o: “Cante!”. Capiba seguiu apenas tocando. “Cante! Tom Jobim e Vinícius de Moraes estão cantando.” Ele, prontamente, respondeu. “Estão cantando, mas estão cantando muito ruim.” Capiba tinha o dom de compor. E entrou para a história assim.

O som da vida

Renato Phaelante, autor do livro Capiba é frevo, meu bem (1986), descreve como as músicas compostas pelo surubinense ajudam a conhecê-lo melhor. As faixas selecionadas para o álbum Capiba, elas e outras canções, rearranjadas com toques contemporâneos, situam a criação do artista na história e pontuam sua trajetória com a diversidade dos gêneros brasileiros – embora a associação com o frevo sempre se impusesse na memória coletiva. Faixas:

Começo de vida (Capiba) – toada
Arranjo: Missionário José – Intérprete: Rogéria (PE)
Nos anos 1950, o Brasil conhecia Carmem Costa, uma cantora nascida no Rio de Janeiro de voz diferente e de intensa força interpretativa. Ela lançou a toada pelo selo Copacabana, em 1956, oferecendo a Capiba a mesma evidência dos grandes nomes da MPB.

Eh uá Calunga (Capiba) – maracatu
Arranjo: Juliano Holanda – Intérprete: Karynna Spinelli (PE)
Capiba é considerado o pioneiro da apresentação do som dos maracatus nos salões, numa época de grandes preconceitos, a década de 1930, quando realizou turnê pelo Sul do país com a Jazz Band Acadêmica. Em 1937, no auditório da Rádio Tupi (RJ), ele lançou esse maracatu, gravado em seguida pela cantora Mara Henrique.

Serenata suburbana (Capiba) – valsa
Arranjo: Metá Metá – Intérprete: Juçara Marçal (SP)
Inicialmente gravada como valsa, tornou-se conhecida, depois, como guarânia, nas vozes de vários intérpretes, desde 1955, quando foi gravada pela primeira vez por Orlando Correia. Sua última gravação recebeu a interpretação de Ney Matogrosso no CD Mestre Capiba, produzido por Raphael Rabello.

Dia cheio de Ogum (Capiba) – afro-xangô
Arranjo: Caçapa e Hugo Linns – Intérprete: Alessandra Leão (PE)
Toada afro-xangô da obra de Capiba, lançada em 1966, pelo intérprete baiano Edy Souza, concorreu ao I Festival Nacional de MPB da TV Record, tornando-se uma das classificadas. Mostra o espírito competitivo do autor. É uma de suas músicas menos conhecidas.

Campina cidade rainha (Capiba) – valsa
Arranjo: Marcos FM – Intérprete: Fernanda Cabral (DF)
Numa das primeiras tentativas de resgatar o ecletismo de Capiba, a Fábrica Rozenblit lança, em conjunto com a Fundação Joaquim Nabuco, em 1982, o LP Capiba ontem, hoje, sempre, com o cantor Expedito Baracho. A música é um homenagem à Campina Grande, na Paraíba, onde Capiba viveu parte da vida.

Resto de saudade (Capiba) – samba-canção
Arranjo: Ivan do Espírito Santo – Intérprete: Solis (PE)
A palavra saudade é uma constante na obra do pernambucano. Nostálgico em diversos momentos de suas composições, ele unia o gosto pelos sons melódicos e harmoniosos. Nessa música, não foi diferente. Ela foi lançada em 1963 por Carlos Nobre.

Quando se vai um amor (Capiba) – canção
Arranjo: Fernando Rangel – Intérprete: Cláudia Beija (PE)
A canção exacerba mais uma vez o espírito romântico de Capiba, desta vez, em pleno Carnaval, à espera da volta de um grande amor. A música foi lançada nacionalmente em 1950, na interpretação de um dos ídolos da Era de Ouro do Rádio, o cantor Carlos Galhardo.

Ai de mim (Capiba) – samba
Arranjo: Nana e Missionário José – Intérprete: Nana (BA)
No início da década de 1960, quando era lançado o sistema de alta fidelidade, a fábrica de discos Mocambo/Rozenblit lançava o LP Sambas de Capiba, fase bossanovista e romântica do artista, na voz de Claudionor Germano. Entre os sambas, se destacava Ai de Mim, parceria com o poeta Carlos Pena Fillho.

Sem pressa de chegar (Délcio Carvalho e Capiba) – samba
Arranjo: Yuri Queiroga – Intérprete: Ylana Queiroga (PE)
Competindo em festivais pelo Brasil afora, Capiba conhece outros compositores. Dentre eles, o carioca Délcio Carvalho, famoso nas rodas de samba. Os dois se tornam parceiros com essa música. Inédita em disco, foi lançada no ano 2000, no CD A Lua e o conhaque, com interpretação de Carvalho.

Claro amor (Capiba e Carlos Pena Filho) – bossa nova
Arranjo: Paulo Arruda – Intérprete: Vanessa Oliveira (PE)
Uma demonstração inequívoca do Capiba romântico, música que faz parte, ainda, do LP Sambas de Capiba, na voz de Claudionor Germano. Da parceria com Pena Filho, frutificou também o sucesso A mesma rosa amarela, faixa que os tornou figuras das mais importantes da bossa nova.

Ilustração: Black Zebra/DP

15 de janeiro de 2014

Esta semana, saiu uma matéria no Diário de Pernambuco sobre discos que serão lançados em 2014. A jornalista apresenta um pequeno panorama sobre a enorme lista de lançamentos que devem acontecer durante todo o ano. A Sambada Comunicação e Cultura está envolvida em 3 produções fonográficas voltadas para a música contemporânea do Estado que estarão disponíveis em CD nas lojas ainda no primeiro semestre deste ano.

Um destes álbuns é Sem Despedida, de PAES, alterego do músico, cantor e compositor Paulo Paes. O CD foi disponibilizado virtualmente e numa versão promocional em junho de 2013. O disco físico, lançado com o incentivo do Funcultura, será em formato digipack com encarte de 12 páginas incluindo as letras das músicas e ficha técnica completa.

A produção musical do álbum é assinada por Filipe Barros, PAES e Rogério Samico. Este último, também fez a mixagem de Sem Despedida que conta com as participações especiais da cantora Ana Ghandra, do bandolinista Rafael Marques (Saracotia), do cantor Tiné e do percussionista Gilú Amaral (ambos da Orquestra Contemporânea de Olinda). As gravações foram feitas no estúdio da Faculdade Aeso Barros Melo, onde o artista cursa produção fonográfica, e a masterização é de Arthur Soares, do Estúdio Base. O projeto gráfico terá ilustrações da artista Isabela Stampanoni e designer de Daniela Brilhante.

TRAJETÓRIA – A relação de PAES com a música teve início ainda na infância, observando os blocos e maracatus no Carnaval do Recife e de Olinda, além das frequentes audições de LPs tocados pelos seus pais. Estudou música em escolas do Recife, especializando-se em teclado e baixo elétrico. Durante esta época, formou alguns grupos de música pop/experimental com influências do jazz americano e dos ritmos tradicionais do Nordeste.

Depois de realizar uma série de shows pelos circuitos estudantis e independentes, PAES descobriu no violão a melhor forma para compor suas músicas instrumentais e canções. Lançou os EPs Paulo Paes (2007) e Brisa (2008), além de desenvolver trabalhos com a Orquestra Contemporânea de Olinda, Geraldo Maia, Embuás e Hijos Del Mar (banda da Argentina).

Tocou em festivais de música independente como Grito Rock Olinda, Flores Astrais e Pai da Mata 2 e realizou shows no Rio de Janeiro, São Paulo e Argentina. A formação atual da banda inclui músicos experientes, como o guitarrista Filipe Barros (Bande Dessinée), o baixista Rafael Gadelha (A Banda de Joseph Tourton) e o baterista Raphael Beltrão (Orquestra Contemporânea de Olinda).

Para escutar: https://soundcloud.com/paescloud

Foto: Camila van der Lindem.

9 de janeiro de 2014

Em 2014, o site Outros Críticos lança 6 edições impressas de sua revista sobre música. A número 01 será lançada em janeiro, durante 2 eventos que acontecem nos dias 15 e 17/01. Na primeira data, o lançamento será no espaço Orbe Coworking, trazendo um debate sobre cenas musicais com a presença de Renato L., Jeder Janotti Jr. e Rodrigo Édipo. Dia 17, haverá junto com o lançamento do impresso, show com as cantoras Isaar e Aninha Martins, no Teatro Eva Herz, da Livraria Cultura do Shopping RioMar.

Cada uma das edições da revista trás um tema a ser debatido. A edição de janeiro discute sobre cenas musicais, com artigos de Germano Rabello (jornalista e músico), Bernardo Oliveira (Blog Matéria), Rafael de Queiroz (Revista MI) e Carlos Gomes (editor da Outros Críticos). As seções Crítica de Boteco, com os convidados Caio Lima (Rua) e Ricardo Maia Jr. (Ex-Exus), e Opinião, com depoimentos de DJ Dolores, Zeca Viana, Renato L., AD Luna, entre outros, apresenta diferentes reflexões sobre o tema abordado.

Cada edição terá um ilustrador convidado para compor a capa e demais artigos. A primeira edição conta com o escritor, músico e ilustrador Daniel Liberalino. Discos recentes de bandas e músicos como Juliano Holanda, Jean Nicholas, Kalouv, Ná Ozzetti (SP) e Momo (RJ) ganham 2 páginas de resenha por diferentes colaboradores.

A revista ainda trás entrevistas com Isaar e Aninha Martins, que falam sobre seus próximos discos e sobre o show que apresentarão no palco da Livraria Cultura, acompanhadas por Rama Om e Do Jarro, da banda de Isaar, e Rodrigo Padrão, da banda de Aninha. O guitarrista Enio Borba fará participação especial nesse show.

Além das entrevistas e do show, ambas gravaram 2 faixas em parceria nos estúdios da Faculdade AESO – Barros Melo, que faz parte do projeto Dois Sons. As faixas serão disponibilizadas no site Outros Críticos, no dia do lançamento da revista, que tem o incentivo do Fundo Pernambucano de Incentivo à Cultura (Funcultura), do Governo do estado de Pernambuco.

SERVIÇO
Lançamento da revista Outros Críticos com o debate Cenas Musicais
Dia: 15/01 – 19h
Entrada gratuita
Local: Orbe Coworking – Av. Dantas Barreto, 324/8º andar – Santo Antônio – Recife

Lançamento da revista Outros Críticos com show de Isaar e Aninha Martins
Dia 17/01 – 20h
Preço: R$ 30,00 (inteira) e R$ 15,00 (meia-entrada)
Local: Teatro Eva Herz da Livraria Cultura do RioMar – Avenida República do Líbano, 251 – Pina – Recife
Capacidade do teatro: 187 lugares

A revista será vendida no local por R$ 10,00 (quem comprar ganha 50% de desconto no ingresso do show)
Informações: Carlos Gomes – carlos@outroscriticos.com – 81 87188060

Foto: Diego de Niglio.

7 de janeiro de 2014

Há algumas décadas, o principal objetivo comercial de artistas e bandas era ser contratado por uma grande gravadora. Estas empresas, que atuavam como uma espécie de mecenas do mercado fonográfico, cuidavam de todas as etapas necessárias para o sucesso de seus contratados: escolha de repertório, divulgação, imagem externa, figurino, peças promocionais, entre diversas outras ações.

Com o surgimento do Compact Disc (CD), da pirataria e do pseudo fim dos discos de vinis todo um processo foi alterado. Aos poucos, as gravadoras, até então entes fundamentais para a criação de astros da música, foram desaparecendo. Este vácuo aberto no mercado deu origem a uma nova forma de trabalhar, incluindo uma participação mais ativa dos próprios artistas e bandas.

Não dava mais para ficar em casa só esperando os direitos sobre as vendas de discos determinarem a quantidade de shows, pois a figura do mecenas havia desaparecido para a maioria. O que fazer? Mudar de profissão? Pode ser, mas, para os que amam o que fazem a saída foi se adaptar a esta nova fórmula. Não a do sucesso, mas a de se manter vivo e ativo no mercado fonográfico. Ser up to date!

Aqui em Pernambuco, um bom exemplo de banda que resolveu meter a mão na massa é a Bande Dessinée.  Além de preocupações com a parte musical que envolve repertório, arranjos e execução, a Bande tem um trato especial com diversos outros aspectos importantes como a relação direta com o público, a participação ativa em redes sociais, o cuidado com a imagem externa e um rigor técnico e artístico com as peças de divulgação.

Esta semana, a Bande Dessinée lançou o clipe da música Perdizes (Filipe Barros e José Demóstenes), com direção e edição de William Paiva. Um vídeo que traduz muito bem a musicalidade pop-elegante do grupo que, a cada dia, conquista mais espaço neste difícil e grandioso universo musical pernambucano. É por aí!

Foto: Louise Vas.

30 de dezembro de 2013

Juliano Holanda abre a programação de shows de verão do projeto Baixo Varadouro, em 2014. Com pouco mais de 20 anos de carreira, o letrista, compositor, arranjador, produtor musical e instrumentista, além do trabalho solo, integra os grupos: Orquestra Contemporânea de Olinda, Wassab, Rabecado e Azabumba. Em 2013, lançou os CDs: A Arte de Ser Invisível e Pra Saber Ser Nuvem de Cimento Quando o Céu For de Concreto. No show do dia 11/01, no Solar da Marquesa, em Olinda, apresentará músicas dos dois álbuns.

Nascido em Goiana, Zona da Mata Norte de Pernambuco, e criado em Olinda, Juliano Holanda é um dos artistas mais atuantes de sua geração. Já tocou e gravou com diversos artistas como Maciel Salú, Erasto Vasconcelos, Alessandra Leão, Tonino Arcoverde, Geraldo Maia, Sergio Cassiano, Publius, Renata Rosa, Jam da Silva, Benjamin Taubkin, entre muitos outros.

Nesta primeira apresentação de 2014, será acompanhado por Tom Rocha (bateria) e Areia (baixo acústico), além das participações especiais do músico Juvenil Silva e da cantora Isadora Melo. Entre as composições autorais que apresentará está Ímãs de Geladeira, faixa do primeiro disco que foi incluída na trilha do seriado Louco por Elas, da TV Globo. A noite conta ainda com a discotecagem do DJ Incidental.

Para saber mais: http://julianoholanda.com.br/

SERVIÇO
Show de Juliano Holanda com participação de Juvenil Silva e Isadora Melo
Discotecagem: DJ Incidental
Dia: 11/01/2014 – sábado
Horário: 22 horas
Local: Solar da Marquesa – Largo do Varadouro – Olinda
Preço: R$ 20,00 (bilheteria) e R$ 15,00 (lista amiga)
Informações: 3429 7625
Lista amiga: http://julianoholanda.com.br/lista-amiga/

Foto: Paloma Granjeiro.

25 de dezembro de 2013

O projeto Baixo Varadouro fecha a programação de 2013 com show especial da cantora, compositora, DJ e artista plástica Catarina. Uma noite dançante e divertida onde o público poderá conferir as músicas do seu primeiro CD, Mulher Cromaqui e outras novidades que a artista está preparando para a festa que conta, também, com a discotecagem do DJ Incidental.

De personalidade contemporânea, Catarina sempre esteve atenta a tudo que acontece no mundo da música. Frequentadora assídua dos sebos de vinis começou a carreira artística discotecando em festas das cidades de Olinda e Recife. Como cantora, apresenta um trabalho autoral caracterizado por analogias entre ritmos populares brasileiros e universais como coco, ragga, cumbia, brega, xote, reggae, entre outros.

Suas canções são inspiradas em dramas amorosos, fenômenos culturais de verão e mulheres inconformadas, com letras que possuem a dose certa de lirismo, ironia e sarcasmo. No palco, Catarina é uma espécie de Joelma punk: dança, debocha, solta frases de efeito e tem uma sinceridade que chega a machucar os desavisados, mas também sabe agradar os ouvidos e olhos atentos em suas músicas e expressões.

Catarina já apresentou seu show em importantes festivais como No Ar Coquetel Molotov, Rec-Beat, Conexão Vivo, Porto Musical, entre outros. Em novembro deste ano, fez o show de lançamento do CD Mulher Cromaqui, no SESC Pompéia, em São Paulo, com ótima repercussão na imprensa especializada.

Para saber mais: www.catarinadeejah.com

SERVIÇO
Show Mulher Cromaqui com Catarina
Discotecagem: DJ Incidental
Dia: 27/12/2014 – sexta-feira
Horário: 22 horas
Local: Solar da Marquesa – Largo do Varadouro – Olinda
Preço: R$ 20,00 (bilheteria) e R$ 15,00 (lista amiga)
Informações: 3429 7625
Lista amiga: www.facebook.com/events/565821616845154/?fref=ts

Foto: Marília Morais.

17 de dezembro de 2013

O Solar da Marquesa está se tornando um dos principais espaços para a música contemporânea do Estado. No próximo final de semana, o projeto Baixo Varadouro, parceria do Solar com a Sambada Comunicação e Cultura, recebe quatro grupos expressivos da música independente. Na sexta-feira (20/12), sobem ao palco PAES e a banda instrumental Saracotia, além do DJ Guma. No sábado (21/12), é a vez das bandas Kalouv e Quarto Astral apresentam seus shows, intercalados com a discotecagem do DJ Incidental.

O cantor e compositor PAES vai apresentar o repertório do seu primeiro CD, Sem Despedida, que será lançado no primeiro semestre de 2014. Com mais de 7 anos de carreira, o músico realizou, em 2013, shows no Rio de Janeiro e São Paulo. No palco, será acompanhado por Filipe Barros (Bande Dessinée), Rafael Gadelha (A Banda de Joseph Tourton) e Raphael Beltrão (Orquestra Contemporânea de Olinda), com participação de Ana Ghandra.

Na mesma noite, o trio instrumental Saracotia mostra sua mistura de samba e jazz no palco do Solar da Marquesa. Formado em 2007, tem na diversidade e no improviso suas marcas registradas, além da influência de artistas como Jacob do Bandolim, Egberto Gismonti, Hermeto Pascoal e Charlie Parker. Neste ano, o Saracotia ficou entre os finalistas do Prêmio da Música Brasileira. Em 2014, além do lançamento do segundo álbum, o grupo vai realizar a primeira turnê internacional por países da Europa.

A Quarto Astral – uma das principais bandas do movimento psicodélico nacional – abre a noite do sábado apresentando sua música fortemente influenciada pelo movimento lisérgico dos anos 1960 e pelo rock’n’roll. Composições recheadas de progressividade, solos de guitarra e improvisos integram o repertório do show, que contará com uma nova formação instrumental: Thiago Brandão (voz e guitarra), Felipe Perez (baixo) e Heverton Lima (bateria).

Em seguida, o quinteto instrumental Kalouv fecha a programação do final de semana mostrando para o público as composições do segundo álbum, Pluvero, com previsão de lançamento para janeiro de 2014. O CD conta com diversas participações especiais, entre elas, o mineiro G. A. Barulhista e a cantora pernambucana Isadora Melo. Integram a Kalouv, Basílio Queiroz (baixo), Bruno Saraiva (teclado), Rennar Pires (bateria), Saulo Mesquita (guitarra e violão) e Túlio Albuquerque (guitarra e violão).

Fechando a programação do sábadoAlém das bandas, dois DJs animam a pista de dança do Solar da Marquesa no final de semana: Guma, um dos DJs oficiais da festa Roots, discoteca na sexta-feira e Incidental, alterego do músico e produtor Eudes Ciriano, que coloca todos para dançar no sábado. Diversão garantida no final de semana em Olinda.

SERVIÇO
Dia 20/12 – PAES + Saracotia + DJ Guma
Dia 21/12 – Kalouv + Quarto Astral + DJ Incidental
Local: Solar da Marquesa – Largo do Varadouro – Olinda
Preço: R$ 20,00 (bilheteria) e R$ 15,00 (lista amiga)
Informações: 81 3429 7625

Lista amiga dia 20/12: www.facebook.com/events/1382623545321732/?fref=ts
Lista amiga dia 21/12: www.facebook.com/events/238846792949022/?fref=ts

Foto: Kalouv – Bruna Monteiro.

10 de dezembro de 2013

A programação do Solar da Marquesa do próximo final de semana começa na sexta-feira (13/12), com a discotecagem do músico e DJ DMingus tocando um setlist desafiador no dance floor da casa, que irá do grotesco ao sublime, não deixando ninguém indiferente na pista antes, após e nos intervalos do shows.

Na sequência, a cantora e atriz, Aninha Martins, apresenta o espetáculo Esquartejada, show que surgiu através do amadurecimento de seu trabalho musical e cênico. A estreia do projeto foi no festival Noite do Desbunde Elétrico 2013, que rendeu críticas positivas sobre sua voz, desenvoltura no palco e relação com o público. No repertório, músicas autorais e parcerias com German Ra, Anaíra Mahin, Hugo Coutinho e Karla Linck.

A Ex-exus vai apresentar o show do último álbum, Xô, lançado em julho deste ano com produção do jornalista Alex Antunes. Formada em 2008 por ex-integrantes da Comuna, já tocaram na Virada Cultural de São Paulo, no Festival de Inverno de Garanhuns, no Festival No Ar Coquetel Molotov, entre outros. Nas apresentações, os músicos utilizam recursos cênicos como maquiagem, máscaras e figurino extravagante “para retirar os espíritos obscuros da música”, como explicam em seu release.

No sábado (14/12), a cantora, compositora e violonista brasiliense Fernanda Cabral apresenta o show do seu primeiro álbum, Praianos, acompanhada pelos músicos Chico Correa (guitarra e programações), Areia (baixo) e Gregg Mervine (bateria). O disco, lançado em 2011, foi gravado nas cidades de João Pessoa/PB, São Paulo/SP e Madri (Espanha). Neste primeiro show em Pernambuco, Fernanda contará com as participações especiais da cantora Alessandra Leão, do violeiro Caçapa e do músico e compositor Juliano Holanda. A noite conta ainda com a discotecagem do DJ Incidental que promete incendiar a pista com muita música brasileira dançante.

Apesar de ainda ser pouco conhecida em seu país, Fernanda possui uma trajetória expressiva em países da Europa e no Japão, onde se apresentou no Blue Note de Tokyo com o grupo espanhol Wagon Cookin. No Brasil e Europa, participou de gravações em discos de diversos artistas e bandas como Chico Correa & Electronic Band, Pedro Guerra, Zezo Ribeiro, Alfredo Bello, entre outros. Também realizou apresentações, ao lado do gaiteiro gallego Carlos Núñez, em festivais da Escócia, França, Portugal e Espanha.

Domingo (15/12), acontece o evento de lançamento do site Contato Improvisação Brasil (contatoimprovisacao.wix.com/cibr), uma parceria do Solar da Marquesa com o Coletivo Lugar Comum,  que contará com a exibição do documentário Sobre Improvisações em Contato e Jam Session com a participação de bailarinos presentes e dos músicos Caio Lima e Hugo Medeiros, da banda Rua. Um encontro que propõe espaço para o imprevisível. O Contato Improvisação se apresenta como uma possibilidade de mover-se diante desse encontro, uma provocação para trocas poéticas, densas e sensíveis. Um estado latente de suspensão e criação.

SERVIÇO
Dia: 13/12 – Shows de Aninha Martins + Ex-exus + DJ DMingus – R$ 20,00 (bilheteria) e R$ 15,00 (lista amiga)
Dia: 14/12 – Show Praianos, com Fernanda Cabral e convidados – R$ 20,00 (bilheteria) e R$ 15,00 (lista amiga)
Dia: 15/12 – Lançamento do site Contato Improvisação Brasil – Entrada gratuita
Local: Solar da Marquesa – Av Dr. Joaquim Nabuco, 05 – Largo do Varadouro – Olinda
Informações: 81 3429 7625

Foto: Juan Martin.