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8 de maio de 2014

De uns anos pra cá, muitos artistas e profissionais de Pernambuco começaram a se juntar para trabalhar ou criar coletivamente. Será que os pernambucanos começaram a entender que juntos são mais fortes? Tomara! Um dos coletivos atuantes da área musical é a Cena Beto, um núcleo de produção formado por artistas solos e bandas  – criado no bairro de Areias, zona sudoeste do Recife – que vem chamando a atenção do público, da mídia especializada e dos curadores de festivais locais.

Um dos idealizadores da Cena Beto é o músico, cantor e compositor JuveNil Silva. Segundo ele, “Beto era um senhor que passava pela praça do Sena, toda sexta-feira, voltando da Ceasa. Ele via o pessoal no banco da praça com uma viola e uns vinhos horripilantes e chegava junto para beber e tocar com a gente. Cantava músicas que ele inventava na hora, recitava poemas hereges sinistros, urrava algo e depois se mandava. Depois de um tempo ele sumiu. Dizem que foi pro Amazonas, outros falam que ele morreu engolido por um bagre buchudo. Eu gostaria muito de reencontrá-lo um dia…”

JuveNil começou a se interessar por música em 1999, através do violão e da sua coleção de discos de vinil. Se considera autodidata. Atualmente, além de tocar baixo na banda Dunas do Barato, desenvolve um trabalho solo e colabora com os companheiros da Cena Beto. Em 2013, lançou, virtualmente e em formato CDR, seu primeiro disco, Desapego, que foi bem recebido por crítica e público. O álbum é uma mistura das diversas influências do artista: folk rock, psicodelia, Sérgio Sampaio, The Who, Raul Seixas, Mutantes, etc.

Já apresentou o repertório de Desapego em eventos importantes de Pernambuco como os festivais Abril Pro Rock Club, No Ar Coquetel Molotov, Festival de Inverno de Garanhuns e Rec-Beat, além do projeto Levada Oi Futuro, no Rio de Janeiro. Atualmente, JuveNil está preparando Super Qualquer no Meio de Lugar Nenhum, seu segundo disco solo com produção dele em parceria com Arthur Dossa, do Estúdio Base, onde está sendo gravado.

“Cada uma das 12 faixas autorais resume um momento de um dia de folga de nosso personagem: um anti-herói da classe operária que vai resolver algumas pendências burocráticas e sentimentais em busca de salvar seu próprio umbigo a qualquer custo (bem barato, na verdade). Um dia cheio, porém bem normal, corriqueiro como qualquer dia na vida de cada um. Uma espécie de Ulysses (de James Joyce) das quebradas atuais. Um matuto radicado na maior cidade pequena do universo”, entrega o artista.

O lançamento de Super Qualquer no Meio de Lugar Nenhum está previsto para acontecer até o final do ano. O formato ainda não está definido, mas o músico revela que gostaria muito de fazer tiragens em CD e LP. Além dos músicos que tocam em sua banda, o disco terá participações de diversos parceiros como Wander Wildner, Rafael Castro, Claudio N, Juliano Holanda, Dmingus, Matheus Mota, Aninha Martins e, segundo o artista, “algumas surpresas inusitadas”.

Sobre o futuro, JuveNil Silva diz que pretende “seguir tocando no máximo de lugares possíveis para o máximo de pessoas que ainda não me viram tocar, espalhar meus sons, minhas loucuras. Achar os ouvidos que querem minha boca”. Filosofia pura!

Para ouvir: https://soundcloud.com/juvenilsilva

Foto: Pedro Liberal.