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16 de fevereiro de 2014

Esse papo de que música instrumental brasileira não tem público já deixou de ser verdade há muito tempo (ou nunca foi). Mesmo nos anos 1960, quando nomes como Zimbo Trio, Tamba Trio, Eumir Deodato, Jongo Trio, Moacir Santos e diversos outros artistas e grupos militavam no jazz, na bossa nova e no samba jazz, a música executada sem voz já tinha o respeito e a admiração de muita gente, inclusive dos telespectadores do programa O Fino da Bossa (TV Record), comandado por Elis Regina e Jair Rodrigues, que abria espaço regularmente para a música instrumental brasileira.

Nos anos 2000, surgiram grupos instrumentais que passaram a incorporar, em sua música, outras sonoridades que iam além do jazz e da bossa nova. Gêneros como rock, funk, reggae, dub, surf music e música eletrônica passaram a ser explorados por grupos como Hurtmold, Pata de Elefante, Macaco Bong, Retrofoguetes, só para citar alguns.

Em Pernambuco, uma das bandas instrumentais mais atuantes é A Banda de Joseph Tourton, formada por Diogo Guedes (guitarra, teclado e efeitos), Gabriel Izidoro (guitarra, teclado, flauta e escaleta), Pedro Bandeira (bateria) e Rafael Gadelha (baixo). Criada em 2007, já percorreu mais de 40 cidades Brasil afora e, ainda neste semestre, vai lançar o segundo álbum: 2014.

“O disco foi feito aos poucos com a contribuição de muitas pessoas. Passamos pelo estúdio Base, onde tivemos ajuda de Arthur Dossa e Vinicius Nunes; gravamos algumas músicas no estúdio Das Caverna, com Homero Basílio, que sempre abriu as portas pra gente; fizemos música no Estúdio Sala Cinco, de Leandro Videira; duas canções foram gravadas no sítio do meu avô,  em Carpina, com nossos próprios equipamentos, além de gravações no estúdio de Bruno Giorgi, no Rio de Janeiro”, revela Gabriel Izidoro, guitarrista da banda.

A mixagem do disco também segue um esquema coletivo e será feita por Rodrigo Sanches, Bruno Giorgi e pela própria banda que ainda não decidiu onde será feita a masterização. Ao todo, serão 9 faixas, sendo 7 compostas pela banda e duas parcerias: Joseph Jazz, com Caio Lima (Rua) e Agroblock e Songda, com Parrô Mello (Orquestra Popular da Bomba do Hemetério).

“O álbum 2014 terá algumas participações especiais: Chiquinho Moreira, da Mombojó, colocou teclados em algumas músicas; Harley Guimarães, ex-Burro Morto, gravou uns sinthys; Caio Lima fez vozes; Parrô Mello arranjou e gravou metais em 5 músicas e Arthur Dossa gravou algumas guitarras também”, adianta Gabriel.

Ainda sem data no Recife para apresentar o novo repertório, a banda está negociando a possibilidade de lançar o álbum em alguns festivais nacionais e já fechou shows no Rio de Janeiro e em São Paulo, durante o mês de maio. A previsão para o lançamento virtual é abril. Quem sabe eles lançam no Abril Pro Rock!

Foto: Pedro Rampazzo/Sambada.