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20 de junho de 2014

Mesmo integrando um nicho do mercado musical brasileiro, a música instrumental do grupo Saracotia vem alcançando atenção e respeito da crítica especializada nacional. Isso se deve, segundo o bandolinista Rafael Marques, “a preocupação do grupo em estar sempre se movimentando, em contato com casas noturnas e produtores de shows”. Marcio Silva, o baterista, complementa: “trabalhamos muito e caminhamos nos lugares certos em termos musicais. Conseguir tocar em eventos como Instrumental SESC Brasil (SP), Duo Jazz Festival (MG) e abrir o show de Yamandú Costa, no Teatro de Santa Isabel, foram importantes para a banda”.

Desde 2007, ano de sua criação, o Saracotia busca agregar elementos do jazz e dos ritmos populares à sua música visando ampliar possibilidades artísticas. A formação acadêmica dos integrantes também ajuda na troca de ideias, criação de arranjos e composições, mas, segundo o violonista Rodrigo Samico, “a experiência acadêmica não se sobrepõe a espontaneidade do trio”.

Rafael e Samico se conheceram no Conservatório Pernambucano de Música e tocaram juntos no grupo de choro Arabiando. Samico conheceu Marcio no curso de licenciatura em Música da UFPE. “Quando vi Samico pela primeira vez com o cabelo verde, camisa de Jimmy Hendrix e calça rasgada pensei que nunca tocaria com ele”, revela Marcio. Um tempo depois, começaram a tocar jazz juntos e formaram a banda Lady Sings the Blues.

O Saracotia surgiu através de um show de bossa nova da cantora italiana Cristina Benvenutti. O trio se juntou para acompanhar a artista numa apresentação no bar Seu Cafofa. Para esquentar o público, eles prepararam um repertório de chorinhos. Pronto! Estava dado o pontapé inicial. Samico pontua: “quando a gente começou a tocar aquele chorinho jazzístico não sabíamos que era Saracotia, apenas sentimos. Um ano depois, recebi uma proposta para apresentar um show no projeto Segunda Cultural da Assembleia Legislativa de Pernambuco e pensei no show que tínhamos feito. Essa apresentação aconteceu no Teatro do Parque lotado e sacramentou a banda”.

A partir daí, fluíram as composições e arranjos para a gravação do primeiro disco que leva o nome da banda, lançado em 2011. De lá pra cá, a banda realizou uma circulação nacional e aprovou, no edital do Fundo Pernambucano de Incentivo à Cultura 2013,  a gravação do segundo disco (ainda sem nome) e a primeira turnê internacional. Sobre o incentivo para a realização das iniciativas do Saracotia, Rafael ressalta que os recursos financeiros são fundamentais mas, salienta que a articulação da banda também foi muito importante para a concretização dos projetos.

“A gente tem muitas ideias! E são essas ideias junto com muito trabalho que vem possibilitando ao Saracotia trilhar este caminho musical”, diz Marcio. Samico complementa: “Recife é uma cidade difícil para a música independente e autoral. Mas, o Saracotia vem conseguindo driblar isso também com a ajuda de parceiros, pessoas que acreditam em nossa música, como a produtora Naara Santos, o Estúdio Carranca e Rogério Samico, produtor musical do segundo disco da banda. Apesar de tudo, nós vivemos da nossa música, fazemos o que gostamos e temos uma boa relação com a cena musical local”.

O novo disco é resultado do amadurecimento da banda. A particularidade dessa nova produção é a sonoridade carregada de ambiências que se conectam com os arranjos criados para cada instrumento, fazendo com que as 10 faixas que integram o álbum se interliguem como se contassem uma história. Destaque para Dia de Sorte, música dançante que trás um Saracotia mais pop e Pra Você, música serena, que reproduz a sensação de estar no mar através de uma levada de caixa tocada com baquetas vassoura, numa execução irretocável de Marcio.

A performance dos instrumentistas é bem fluída. Eles se complementam numa sintonia incrível, onde um toca pro outro mantendo um diálogo claro e criativo, revezando-se em solos exímios. Rafael coloca: “temos a tranquilidade de produzir de acordo com nossos conceitos. Sem pressão ou modismos”. E Marcio continua: “algo que acho bem decisivo em nossa música é que somos muito concisos. Nós compomos e tocamos pensando em nossa performance juntos”. Eles gravaram todo o segundo disco em 3 dias, utilizando 32 horas de estúdio. Essa dinâmica e fluidez se deve a uma enorme cumplicidade do trio.

Além da gravação do segundo álbum, o Saracotia se prepara para uma circulação internacional. Nesta primeira etapa, a banda faz 5 shows na França e 2 em Portugal. Ficam um tempo extra por lá e retornam ao Brasil para realizar outra etapa da turnê, desta vez pela América do Sul, e finalizar o disco com lançamento previsto para 2015. Mas, a banda planeja uma volta ao continente europeu para uma residência de 2 anos. O trio pretende cursar mestrado em Portugal e se consolidar no circuito de musica instrumental internacional que abrange festivais e mostras a partir do Brasil, passando pela Europa, Estados Unidos e findando no Japão.

Serviço
Primeira etapa da turnê internacional
26/06 – Festival La Sardine – Orléans (França)
28/06 – La Cave de Laleu – La Rochelle (França)
29/06 – Le Central do Brasil – Bordeaux (França)
03 e 05/07 – shows em Lisboa (Portugal)
10/07 – Le Petit Bain – Festival Brésil Flottant- Paris (França)
11/07 – L’Escargot – Orléans (França)

Foto: Beto Figueiroa.